13 de setembro de 2017

A importância de noticiar às necessidades da sociedade

Por Pedro Nascimento

Desolação foi o que restou no subdistrito de Bento Rodrigues, 
em Mariana/MG (Antonio Cruz/Agência Brasil)

Os desastres ambientais têm sido constantemente debatidos na imprensa, principalmente após o rompimento da barragem da mineradora Samarco, localizada no subdistrito de Bento Rodrigues, a 35 km do centro do município Mariana, em Minas Gerais. Mas esses desastres muitas das vezes são noticiados apenas após seus acontecimentos e não comunicados como um alerta. É nesse momento que a imprensa peca, mas não deve carregar nas costas esse pecado sozinha.

Segundo as Organizações das Nações Unidas (ONU), entre os anos de 1995 a 2015, o Brasil esteve entre os 10 países com maior número de afetados por desastres. Foram 51 milhões de brasileiros prejudicados por catástrofes relacionadas ao clima. Muitas das inundações, deslizamentos de terra e outros desastres - que culminaram na morte de várias pessoas - poderiam ter sido evitados através de ações dos órgãos públicos responsáveis pela infraestrutura de vários locais em situações de risco. 

Atualmente, existem pessoas morando em encostas, comunidades ribeirinhas e próximo à canais, que estão em situações críticas, desumanas e correndo risco de vida. Essas pessoas, que necessitam de ajuda, recorrem à imprensa. 

Como mediadora entre o Estado e a sociedade, a imprensa deve cumprir seu papel de fornecer aos cidadãos, informações que possam
contribuir com a formação de opinião e tomada de decisão. E é através dos meios de comunicação que muitas das vezes a Defesa Civil fica sabendo da situação das pessoas que necessitam de atenção, isso pelo fato da imprensa dar voz à população. Mas, o papel da Defesa Civil é de agir com ações preventivas para que aquelas pessoas em situações de risco, possam ter segurança; que elas estejam bem para que quando houver chuvas - fortes ou não -, elas continuem seguras e livres de quaisquer riscos à vida delas. Mas, nem sempre isso acontece.

O que vemos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação de Sergipe, por exemplo, são reclamações de moradores que sofrem com enchentes, deslizamentos de terras e outros transtornos causados pelas mudanças do clima no estado. São denuncias e mais denuncias, mas o solução delas é o que quase nunca aparecem.

Um dos bairros mais afetados por inundações, é o Novo Paraíso, localizado em Aracaju. Por lá os moradores já calculam mais de 30 anos de sofrimentos com alagamentos. Basta apenas 10 minutos de chuvas fortes para o canal transbordar e o caos recomeçar. Ninguém entra, ninguém sai de casa. Vai ano, entra ano e nada é feito para acabar com esse problema. A imprensa pouco debate a situação dos moradores. Claro que ela não pode ser a culpada pelas enchentes, mas a importância social que ela têm para a população é fundamental para dar o famoso 'empurrão' na busca pela solução. 

A lamentável situação do bairro Novo Paraíso é somente uma entre tantas existentes em Sergipe e outros estados do Brasil.  

Em 2011, 12 dias após a virada de ano novo, a região Serrana do Rio de Janeiro virou um caos devido à fortes chuvas. Na época, essa foi considerada a maior tragédia climática da história do país onde foram contabilizadas mais de 500 mortes, segundo o portal G1. A maioria dessas mortes se deram devido à desabamentos de casas e de encostas, tudo por causa da falta de controle e planejamento no crescimento das cidades atingidas.   

Essa é a triste e dura realidade. O descaso é grande e os riscos à vida da população continuam e, consequentemente, a decepção dos cidadãos com os órgãos públicos só aumenta. 

É necessário que a imprensa reveja seus critérios de noticiabilidade e se dedique também à mostrar as necessidades daqueles que vivem em locais de riscos. Que ela trate dos desastres, mas também alerte para que reduza os acidentes e mortes causadas pela negligência dos órgãos responsáveis pela infraestrutura da cidade. Mas, principalmente, que as Prefeituras cumpram seus deveres: propiciar o bem estar de seus moradores garantindo todos os direitos básicos.  

E em meio à todo o caos, que a sociedade não se cale e não deixe que ninguém à impeça de falar. Acima de tudo, que nunca deixe de reivindicar seus direitos. 



Pedro Nascimento - acadêmico do curso de Jornalismo.
Contato: pedrogabrielb@bol.com.br

  • Artigo de opinião escrito para a disciplina de Comunicação Regional e Comunitária, lecionada pela professora Michele Amorim Becker, do curso de Jornalismo, da Universidade Federal de Sergipe.